A II Guerra Mundial

Ignorando, e corrigindo, o primeiro parágrafo – já não podemos exigir muito da cabeça de VPV, quanto mais que faça contas, coitado – aqui fica a sua síntese sobre a II guerra mundial. Quanto aos dados históricos, é possível que tenham também eles erros, mas desses percebo pouco portanto assim ficam.

Faz 30 anos 70 anos terça-feira próxima [hoje] que a II Guerra começou, quando Hitler invadiu a Polónia. Isto foi possível, em primeiro lugar, porque entre 1918 e 1939 as duas grandes potências mundiais não estiveram presentes na política europeia: a América passava por um período de estrito isolacionismo (que uma lei de neutralidade confirmava) e a URSS, temida e subestimada, fora posta de quarentena pelo horror do Ocidente à revolução. A Alemanha ficava assim sozinha e, na prática, parecia irresistível. A França era um país semi-industrializado e pacifista; a Inglaterra não queria arriscar um Império já periclitante com uma nova intervenção no continente. Hitler julgou que tinha o caminho livre e que o “apaziguamento” (ou seja, o sucesso da chantagem dele) demonstrava a definitiva fraqueza das democracias.

Na essência, o nazismo nunca passou da mobilização da Alemanha para uma guerra rácica (e de extermínio) a leste, que Hitler já anunciara no Mein Kampf. Em princípio, ocupação da Noruega, da Dinamarca, da Holanda, da França e, um pouco contrariadamente, da Jugoslávia e da Grécia só se destinavam a assegurar a retaguarda do Reich. A verdadeira guerra acabou, de facto, por ser a leste. As baixas do Exército Vermelho excederam em muito as da América e da Inglaterra (12 a 14 milhões contra à volta de 300.000 da Inglaterra e 400.000 da América). A maior parte dos judeus que morreram no Holocausto (à volta de 70 por cento) vinham da Polónia, da Ucrânia, de Bielorrússia, dos países bálticos, da Roménia, da Hungria e da Checoslováquia. E, proporcionalmente, as perdas civis seguiram quase o mesmo padrão (Bielorrússia, Polónia, Ucrânia, Rússia) e, em conjunto, chegaram na antiga URSS a perto de 20 milhões (estes números são estimativas e variam de autor para autor).

Hitler imaginava que o regime soviético, como o dos czares, cairia perante uma derrota militar. Não caiu e, a partir de 1942, a indústria de armamento transferida para o interior começou a produzir mais do que a Alemanha. Pior ainda, a sobrevivência da Inglaterra e a terceira eleição de Roosevelt envolveram a América crescentemente no conflito. Hitler resolveu antecipar o inevitável e, sem necessidade imediata, em Dezembro de 1941 tomou a iniciativa de lhe declarar guerra. Depois disso, nada o podia salvar. O terror (a perspectiva de represálias da URSS e dezenas de milhares de fuzilamentos) conseguiram aguentar a Wehrmacht em campo e a “limpeza rácica” continuou até à destruição da Alemanha. A paz, como é óbvio, deixou a Estaline a Europa central, totalmente ocupada pelo Exército Vermelho.

— Vasco Pulido Valente, no Público de Domingo

Design a site like this with WordPress.com
Get started