Não tenho tempo para ler mais do que crónicas ultimamente. Novamente, Lobo Antunes:
A torneira do lava-loiças pingava lágrimas custosas que não tombavam logo, rodeavam o bico primeiro, hesitando, até acederem num desgosto pesado. De minuto a minuto uma melancolia transparente achatava-se no ralo, uma nova tremura principiava a inchar. As árvores fabricavam um ventinho distraído. A senhora levou o retrato para a sala: presumo que conversavam de barcos.
(…)
Segundo a proprietária do quiosque de revistas deu-lhe um aneurisma
(- Essas veias que rebentam)
e ficou negro no soalho, a espernear. Quando acabou de espernear a boca aberta numa surpresa enorme, a dentadura a descolar-se
(- Uma dentadura cara, com ganchos de arame para agarrar lá atrás)