Novamente Lobo Antunes

Não tenho tempo para ler mais do que crónicas ultimamente. Novamente, Lobo Antunes:

A torneira do lava-loiças pingava lágrimas custosas que não tombavam logo, rodeavam o bico primeiro, hesitando, até acederem num desgosto pesado. De minuto a minuto uma melancolia transparente achatava-se no ralo, uma nova tremura principiava a inchar. As árvores fabricavam um ventinho distraído. A senhora levou o retrato para a sala: presumo que conversavam de barcos.

(…)

Segundo a proprietária do quiosque de revistas deu-lhe um aneurisma

(- Essas veias que rebentam)

e ficou negro no soalho, a espernear. Quando acabou de espernear a boca aberta numa surpresa enorme, a dentadura a descolar-se

(- Uma dentadura cara, com ganchos de arame para agarrar lá atrás)

http://aeiou.visao.pt/a-dona-olga-e-eu=f526420

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